O Espírito

Engraçado... “Adoro” o mês de dezembro. Muito sol, gente nas ruas, 13°, “aquele” espírito natalino... Em dezembro tenho a impressão de que tudo passa devagar: o dia de trabalho, a fila do supermercado, os dias para o Natal e para a virada do ano... O consumismo é o espírito que se torna mais presente, apesar de muitos discordarem. Fazemos mais dividas, compramos coisas que quando entrar o novo ano, nos arrependeremos, e assim vai se completando os “ciclos”.

Tem coisa pior do que ir ao shopping no mês de Natal?
(não que eu goste de ir a shopping, mas às vezes é necessário)

Se não quer se aborrecer acredite, não saia de casa, pois a música ambiente será sempre a mesma (irritante) de fim de ano, a decoração tem neve de isopor e um velhinho de barba branca, que sentado em uma poltrona no meio do shopping, diz: ho ho ho.

Se conselho fosse bom, não se dava, se vendia, então cuidado é somente o que lhe peço (e interprete isso da forma que preferir).

No mais, para entrarmos, ou continuarmos no ritmo, boas festas para você!


Inté!

O CHAT

Era para ser um domingo de sol, mas como invariavelmente acontecia nas ultimas semanas, chovia horrores. O que fazer? Não queria estragar um domingo todo vendo a chuva cair... Irresistivelmente, sentei a mesa do computador. Nenhum e-mail, ninguém interessante no MSN. Queria entender por que esse tempo me abate tanto, me deixa carente e angustiada... Tentando me distrair desses sentimentos conflituosos, entrei em uma sala de bate-papo. O nick, Flor; verdadeiro chamariz. Muitas pessoas me abordam, uma cacofonia de falas. Opto por um “boyzinho” de nick O PENSADOR.


O PENSADOR fala: Oi gatinha, podemos tc?


Flor: Claro! Como vai?


O PENSADOR: Blz! E vc?


Flor: Bem também... Você tc de onde?

(esses tipos de conversas sempre me entendiam...)


O PENSADOR: Daqui de Salvador e vc?


Flor: Idem.

(e lá se foi a conversa... seguindo uma seqüência invariável...)


Sabe o que mais me deixa intrigada com essas salas de bate-papo? O fato de que muitas pessoas que estão ali buscam verdadeiramente encontrar alguma pessoa legal... É tudo tão caótico e efêmero lá, que muito raramente conseguimos encontrar alguém com um discernimento tal para se iniciar uma amizade ou algo mais. Há exceções, claro.


A conversa com o tal PENSADOR? Bem... Não foi muito longe. Ele só queria falar de sexo. Esqueci que lá estamos sujeitos a encontrar gente de todo tipo: legais, maravilhosas, ninfomaníacas, psicopatas... Resolvi me desconectar da sala. Voltei para cama, peguei José & outros, de Drummond, e fui ler... Nada melhor que isso!

"Tristeza, por favor vá embora... "

No dia que ele disse "eu te amo", ela foi a mulher mais feliz do mundo. No dia que disse adeus, ela teve vontade de se atirar do prédio mais alto da cidade. Fatalidades. Um dia você está bem, acredita que tudo está nos conformes... Vem a maré e destrói tudo. Verdadeiro tsunami. E você ainda tem que sorrir, não exteriorizar a sua tristeza e dor, e viver por um bom tempo tentando se convencer que ficou o aprendizado, que você vai superar logo, que um novo amor vai surgir... Cansei disso! Eu vou buscar agora ser egoísta... Cuidar de mim, para mim, por mim... E quem quiser gostar da minha pessoa, vou logo avisando: terá que dançar a música conforme o meu ritmo. Buscamos tanto amar ao próximo e quando pedimos um pouco de amor, as pessoas só pensam em si! Meu pai é que está certo quando diz: "minha filha, amor tem que ser sempre razão, e não coração". Se eu estivesse escutado-o, não estaria derramando tantas lágrimas, sentindo tanta dor... Vou ficar sozinha por um bom tempo agora, seguir conselhos alheios: aproveitar a vida! Ela passa tão rápido... Quando nos tocarmos, já estaremos velhinhos, lembrando dos velhos tempos que para mim, estão acontecendo agora.


Inté!


--


"A gente sempre destrói aquilo que mais ama
Em campo aberto ou numa emboscada
Uns com a leveza do carinho
Outros com a dureza da palavra
Os covardes destroem com um beijo
Os valentes destroem com a espada."


- Oscar Wilde

DOMINGO

O que a maior parte da humanidade busca? Paz? Amor? Sucesso? São tantas coisas... Em pleno século XXI o homem se depara com questões existenciais para a resignificação da vida. Quanto a mim, hoje eu só quero descansar. Esquecer que tenho um batalhão de trabalhos a serem entregues essa semana... Parar para ler o livro que ganhei no meu aniversário e que por ser um simples romance, fica difícil lê-lo por conta dos três livros técnicos que tenho que dar conta até a quarta-feira. Que canseira! As vezes me pergunto do que vale tanta correria. A vida tem se resumido a conquistas mundanas, ao sempre querer mais... Queria que isso não estivesse tão enraizado em mim também. Agora enquanto escrevo, começo a sentir-me culpada por não estar fazendo o resumo daquele livro (de um dos três que tenho que dar conta). Para ser sincera, voltarei as minhas tarefas... Esses meus devaneios escritos, por ora, não me levarão a nada. De volta ao trabalho!


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Estado:


  • Em contagem regressiva para o término do semestre da faculdade;
  • Com saudade de escrever aqui no meu cantinho;


Até mais!


; )

PROFESSORES APAIXONADOS

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.

Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.

As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos. Não há pretexto que justifique, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.

Apaixonar-se sai caro!

Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.

Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cântico, de ênfase, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.

Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado. Sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.

Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito. das injustiças e até mesmo dos horrores que há na profissão.

Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.

Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.

Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.

Dar aula não é contar piadas, mas quem dá aulas sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.

Não essa oração de chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.

Os professores apaixonados querem tudo.

Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade.

Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.

Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.

A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável!


Autor: Gabriel Perissé

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Enviado por um amigo, para reforçar a seguinte frase de sua autoria: "Jamais perca a paixão. É ela que nos move, nos guia e dá sentido a tudo que temos de “científico” para dar aos nossos alunos".

À esse meu amigo, um muito obrigada!

Até mais!

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